Sicredi União RS - Como fazer mapeamento de riscos nas organizações em um mundo VUCA?
Julio Cardozo

Julio Cardozo

Diretor Executivo de Riscos no Banco Cooperativo Sicredi

Como fazer mapeamento de riscos nas organizações em um mundo VUCA?

Publicado em 12 de Dezembro de 2019
Dica de Especialista Tempo de leitura: 04'07"
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Por Julio Cardozo*

No mundo atual, as tecnologias se renovam a todo instante e a cada minuto hábitos de consumo são criados ou transformados, gerando incertezas e causando mudanças constantes no mercado. Com esse cenário desafiador, podemos considerar que este ambiente conturbado pode ser o novo modelo de normalidade.
VUCA é um conceito que define bem este momento, o termo originou-se nos anos 1990 com estudantes americanos do US Army War College para descrever o contexto pós-Guerra Fria. O mundo VUCA, que em português significa Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade, foi incorporada ao vocabulário
corporativo recentemente, quando os gestores financeiros começaram a perceber que o planejamento estratégico convencional não estava mais dando conta de prever os cenários prováveis do mercado.

A adaptabilidade e o preparo para as mudanças que o mercado exige são qualidades cruciais para manter-se competitivo. Portanto, entender o contexto em que cada organização se encontra é imprescindível para a sustentabilidade do negócio, pois afeta diretamente a maneira como a empresa planeja o futuro, gere seus
riscos, toma decisões, executa mudanças e resolve intercorrências.

Entendendo o conceito do mundo VUCA e o mapeamento de riscos nas organizações

Na era digital, a informação viaja a uma velocidade surpreendente. Atualmente, quase toda a população tem um celular com acesso à internet e perfis nas redes sociais, plataforma disseminação de dados em massa. Um exemplo claro é a origem da primavera árabe, que foi fomentada pelo ato de protesto suicida de um
vendedor tunisiano que ateou fogo no próprio corpo por ter tido o lucro do dia (aproximadamente U$ 7,00) confiscado pelas autoridades.

Naquele momento, em 17 de dezembro de 2010, se as pessoas não tivessem seus celulares para filmar e fotografar aquele ato do vendedor de frutas chamado Mohamed Bouazizi, a situação talvez não servisse de combustível para os jovens iniciarem uma revolução. Algo que foi possível graças aos milhares de
compartilhamentos e acessos que as cenas ganharam.

O mapeamento de riscos nas organizações deve levar em consideração tais preceitos de Volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade, para entender situações, que, como aconteceu no exemplo citado, não aconteceriam ontem, da mesma forma como podem acontecer amanhã. Dada a questão tecnológica, o
mundo hoje está ainda mais sujeito a black swans (cisnes negros), eventos possíveis mas até há pouco inimagináveis. Este termo tem origem na época em que os primeiros navegadores chegaram ao continente australiano e se depararam com cisnes negros, animal sem registros para os viajantes europeus.

Por mais recente que o mundo VUCA seja, os exemplos que servem como base de analise para entender os prováveis movimentos do mercado mudam com muita velocidade, quantas situações como a primavera árabe aconteceram tendo como linha de entendimento estes preceitos? Para saber como fazer o mapeamento da sua organização de acordo com o mundo VUCA algumas perguntas devem ser respondidas: O seu modelo de negócios pode ser fortemente afetado por variações nas taxas de câmbio, juros? Decisões políticas? Escândalos e decisões judiciais?

Sendo assim, estar suscetível a mudanças é um fato imutável, contudo, o planejamento e organização prévios, são medidas cautelares capazes de conter grande a imprevisibilidade do mercado que o mundo VUCA oferece. Muito mais cuidado deve ser dado aos riscos desconhecidos, pouco prováveis mas de grande impacto (cisnes negros) do que aos riscos conhecidos do dia a dia, que têm impacto de baixo a moderado.

* Julio Cardozo é diretor executivo de Riscos no Banco Cooperativo Sicredi

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Diretor Executivo de Riscos no Banco Cooperativo Sicredi

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